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January 20, 2015

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PARECER TÉCNICO SOBRE DOENÇAS FÚNGICAS TRANSMITIDAS POR POMBOS

 

O papel das pombas como portadoras de fungos patogênicos foi estabelecido por Emmos em 1955, quando se isolou C. neoformans das excreções das pombas urbanas (Columba livia), sendo o primeiro a estabelecer a relação existente e atualmente consolidada entre o microrganismo e as fezes dessas aves. A levedura pode ser detectada nas excretas na sombra, secas ou úmidas por mais de anos. Achava se que a exposição ao sol poderia ressecar as fezes e inibir o crescimento do fungo, porém espécies como C. neoformans são capazes de produzir pigmentos melanóides no solo e sobreviver à radiação solar. O pó veicula leveduras do solo de 1-2 micras de diâmetro e acapsuladas, o que lhes permitem alcançar facilmente o espaço alveolar quando inaladas.

 

As principais fontes ambientais de infecções humanas de C. neoformans e H. capsulatum incluem diferentes fontes de matéria orgânica, incluindo fezes de pombos e de outras aves gregárias, como rolinhas, periquitos, galinhas entre outras, e também de mamíferos como o morcego, onde esses fungos sobrevivem e se reproduzem formando células reprodutivas (propágulos). C. gatti tem seu habitat relacionado a plantas e subprodutos vegetais. Como micoses sistêmicas, histoplasmose e criptococose são adquiridas pela inalação de propágulos (esporos e conídios) dos agentes etiológicos presentes nas fezes de pombos e morcegos que contaminam diversos ecossistemas. Entretanto, a grande maioria dos indivíduos expostos não adoece, pois a resistência natural à essas doenças é elevada entre os humanos. Essas micoses sistêmicas podem acometer pacientes imunodeprimidos graves como pacientes infectados pelo vírus HIV (AIDS) quando em estados avançados da doença. Outros grupos de risco incluem pacientes transplantados de órgãos sólidos e usuários crônicos de corticoesteróides e/ou imunobiológicos.

 

 

Para evitar que pacientes imunodeprimidos adquiram essas doenças, dependendo do grau de imunossupressão, há indicação de realizar medicamentos antifúngicos profiláticos, os quais estão descritos em protocolos de rotina de manejo e profilaxia de micoses sistêmicas. A partir do foco primário pulmonar (complexo primário pulmonar), a histoplasmose e a criptococose podem disseminar por vias linfática ou hematogênica para qualquer sítio orgânico. Os agentes da criptococose apresentam acentuado neurotropismo, causando frequentemente manifestações meningoencefálicas, o que torna a neurocriptococose, a mais frequente das neuromicoses em todo o mundo.

 

Pode a meningoencefalite estar relacionada à excretas de pombos, o aumento populacional desses animais em centros urbanos muitas vezes chama a atenção das autoridades de saúde que, pressionadas pela opinião pública e imprensa leiga, planejam desenvolver ações não embasadas em conhecimentos técnicos e científicos com objetivo de reduzir a população urbana de columbídeos.

 

Os diversos métodos imaginados, baseados no extermínio físico das aves ou deslocamento dessas aves para outros locais como áreas silvestres, além de cruel é biologicamente incorreto, pois logo após o desaparecimento dos indivíduos, outra população preencherá o nicho ecológico vazio.

 

A presença de pombos por si não deve ser encarada como um “risco sanitário”, já que os fungos são saprófitas do tubo digestivo de várias aves. Quanto à eliminação física de pombos ou a remoção do habitat como medida de profilaxia da criptococose e histoplasmose, não há embasamento científico ou técnico na literatura mundial que justifique tal prática. As populações humanas de grandes capitais de países europeus convivem por séculos com uma grande população de pombos urbanos. Nessas, nunca foram observados surtos de criptococose ou de histoplasmose e, em momento algum, se executou a matança de animais. Em conclusão, o extermínio ou remoção de pombos urbanos não irá causar impacto na incidência ou prevalência da criptococose e da histoplasmose em municípios brasileiros.

 

Dr. Flávio de Queiroz Telles Filho, médico Infectologista e Professor Associado do Departamento de Saúde Coletiva Hospital de Clínicas - Universidade Federal do Paraná (UFPR) e coordenador do Comitê de Micologia Clínica da Sociedade Brasileira de Infectologia. Dra. Carla Sakuma de Oliveira, médica infectologista, docente do curso de Medicina da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – Cascavel/PR e coordenadora do Comitê de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde da Sociedade Brasileira de Infectologia.

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